A felicidade do médico é subjetiva.
Tenho certeza de que foram poucas as vezes que você parou para refletir sobre esse tema.
Hoje meu texto seria sobre algo prático, ligado aos controles e rotinas ideais para um consultório, mas duas conversas recentes me fizeram mudar de última hora.
Eu vejo que, a cada dia, mais pessoas querem vender um modelo de felicidade para o médico.
Parece que existe uma cartilha do que eu preciso fazer, ter e ser.
Na verdade, vejo que as pessoas querem empurrar goela abaixo a forma como você deveria seguir sua vida e sua profissão.
“Quem faz isso é charlatão, marketeiro, jogou fora o diploma.”
“Quem não cobra assim está colaborando para a marginalização da nossa profissão.”
“Médico precisa ter posicionamento, ande sempre bem arrumado, com uma calça de alfaiataria e um blazer azul-marinho.”
“Se você fica muito tempo falando nas redes sociais, significa que não é um bom profissional, deveria estar estudando ou atendendo.”
Eu tenho a impressão de que essas pessoas têm a vida perfeita, para acharem que todos precisam seguir o mesmo caminho.
Parece que eles se esquecem que existem contexto, cultura, personalidades, visões de mundo e crenças diferentes em nós.
Já conheci médicos que não ganhavam rios de dinheiro, mas têm uma casinha no interior e são adorados pelos moradores locais.
Eles não trocariam a roça nem por 100 mil reais por mês se tivessem que morar em uma capital.
Também já conheci médicos que faturam mais de um milhão de reais e querem continuar crescendo. A paixão deles está em empreender.
Quero que você tire um tempo para refletir. Hoje há pessoas que compram uma ferramenta sem saber para que vão usá-la.
Primeiro, você define e constrói os seus valores, em que acredita.
Depois, você reflete a forma como quer levar sua vida, o que importa para você e sua rotina.
Por fim, você descobre os meios para tornar isso possível.
É só isso, só que a maioria está invertendo essa ordem.
Escutam, a cada dia, uma coisa diferente, se questionam sobre o que acreditam, compram métodos e fórmulas mágicas e ficam presos em vidas que não gostariam de viver.
O resultado disso tudo é frustração.
Porque não existe um único caminho para ser um bom médico — mas existe um único caminho que faz sentido para você.
Até, sigo com você.
Aledi