Normalmente, o médico só pensa no que fazer quando o problema já aconteceu.
A agência parou de dar resultado. A secretária saiu. O Instagram bloqueou o perfil. Os pacientes pararam de chegar… E agora?
A resposta, muitas vezes, é: não sei.
Existe um conceito chamado premeditatio malorum (o nome é complicado, mas a ideia é simples).
Significa se preparar para o mal.
Não é acreditar que tudo vai dar errado ou viver preocupado com o próximo problema.
É pensar no que pode acontecer e se preparar antes.
Se todos os seus pacientes chegam pelo Instagram, o que acontece se o seu perfil for bloqueado?
Se a sua secretária sair amanhã, outra pessoa consegue continuar o atendimento?
Se a sua agência parar de dar resultado, você sabe o que estava funcionando e o que precisa fazer?
Talvez não (e esse é o problema).
Muitos médicos ficam presos a uma única forma de fazer as coisas.
Encontram uma agência, uma secretária ou uma estratégia que funciona e começam a acreditar que aquilo vai funcionar para sempre.
Só que não vai.
O Instagram pode mudar. A agência pode errar. A secretária pode sair. Uma estratégia que funcionava muito bem pode simplesmente parar de funcionar.
Você não controla essas coisas.
O que você pode fazer é preparar o seu consultório para não depender completamente delas.
Em vez de ter somente o Instagram, você pode ter o Instagram e o Google.
Também pode construir uma rede de indicação com dois ou três profissionais, cuidar dos pacientes que já chegaram e fazer com que eles retornem.
Assim, se uma forma de atrair pacientes parar de funcionar, você ainda tem outras.
A sua secretária pode ter um manual explicando como responder, agendar, confirmar as consultas e acompanhar os pacientes.
Você também pode ter algumas automações no WhatsApp funcionando junto com ela.
Se ela sair, vai dar trabalho substituir (óbvio). Mas o consultório não perde todo o processo junto com ela.
É isso que eu chamo de criar repertório.
Quanto maior o seu repertório, mais formas você tem de lidar com um problema.
O médico que conhece somente uma metodologia fica perdido quando ela deixa de funcionar.
O médico que conhece os fundamentos consegue mudar a forma de fazer sem esquecer o que precisa ser feito.
As ferramentas mudam, os fundamentos não.
Você continuará precisando atrair pacientes, atender bem, fazer com que eles retornem, cuidar do dinheiro e construir uma boa reputação.
Talvez mude a agência, a plataforma, a secretária ou o sistema.
O fundamento continua ali.
Você não precisa criar dez planos diferentes ou imaginar todas as tragédias que podem acontecer no seu consultório.
Comece fazendo uma pergunta simples:
Se isso parar de funcionar amanhã, o que eu faço?
Se você não souber responder, talvez esteja dependendo demais de alguma coisa.
Pensar no pior não faz com que ele aconteça. Só faz com que você esteja mais preparado quando acontecer (porque alguma coisa sempre acontece).
Até, sigo com você.
Aledi