Consultório 1A

Gestão e marketing médico

Autor: aledi

  • O médico precisar errar

    O médico não precisa, ele deve errar. Quantas vezes forem necessárias, o mais rápido possível.

    Vejo muitos profissionais perdendo diversas oportunidades por esse medo inenarrável de cometer erros e pelo sentimento de não se sentir preparado o suficiente.

    Você precisa entender que o seu consultório não é uma mesa de cirurgia, nem a vida de ninguém está em risco. Você precisa errar. 

    Você consome cursos, paga mentorias, lê vários livros sobre o tema, segue várias pessoas diferentes, troca ideias com colegas e não erra.

    Você não se dispõe a estar errado. Prefere não fazer do que fracassar. 

    Na gestão do seu consultório, o erro é insumo, o erro é conhecimento. 

    Preciso que você comece a colocar as coisas em prática, preciso que você escute menos o guru (como senhor da verdade) e tenha autonomia para tomar decisões.

    Será que o texto que a sua secretária manda para os seus pacientes está bom? Não saberemos até ela começar a responder aos contatos.

    Não deu certo? Ninguém marcou consulta? Ajusta! Muda alguma coisa, altera a sequência, deixa mais curto, seja mais humano, tanto faz. Só teste. 

    E agora, melhorou? Mantém. Deu errado? Testa de novo. 

    Isso chega a ser tão simples que eu não consigo compreender o motivo pelo qual o médico não faz isso. 

    Será que o Google Ads funciona para minha especialidade? Testa. Será que eu devo fazer anúncios no Instagram? Testa. Será que meu paciente vai comprar o meu programa de acompanhamento? Testa!

    Não tenha medo de ficar ruim na primeira vez, vai ficar. Os médicos com quem eu converso que mais têm resultado são os que mais estão testando coisas novas, todos os dias. 

    Também não tenha medo do fracasso. Meu vídeo ficou ruim, qual o problema disso? Depois apaga. O médico que eu mandei mensagem para fazer parceria me ignorou. Vida que segue. 

    Pare de consumir incontáveis fontes de informação achando que isso vai salvar o seu consultório com a fórmula perfeita, porque não vai. 

    A única coisa que pode mudar o seu consultório são ações práticas e a única pessoa que pode fazer isso é você.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi

  • Nada contra o Médico Influencer

    Eu não acho ruim o médico ser influencer. 

    Também não acho ruim que o médico tenha um perfil com milhares de seguidores. 

    O que eu acho ruim é o imaginário que se cria de que um perfil cheio de seguidores resulta em uma agenda cheia de pacientes.

    Eu te afirmo, com toda certeza do mundo, essa correlação não existe. 

    Já conheci uma dezena de médicos, todos com perfil com mais de 100k seguidores, que tinham dificuldade em encher a agenda e cobrar um valor justo. 

    Lógico que um perfil grande traz autoridade, mas autoridade por si só não vende. 

    Primeiro, é extremamente importante que você entenda: quem está te seguindo e o motivo pelo qual está te seguindo. 

    Se eu sou ginecologista e tem um homem me seguindo, não vou conseguir convertê-lo em paciente, nunca. 

    Logo, preciso que o público certo esteja me acompanhando. 

    Outro ponto importante, se eu estou acompanhando a rotina de uma médica que faz 10 mil esportes diferentes porque acho legal, isso não faz com que eu tenha interesse em ser atendido por ela.

    Simplesmente significa que a rotina dela é interessante para mim, ponto. 

    Essa blogueira poderia indicar um médico e eu poderia ter interesse em ser atendido por esse médico. 

    Ela tem o poder de influência, ela não tem a autoridade percebida naquela especialidade. 

    São duas coisas completamente diferentes.

    Basicamente, eu quero que as pessoas que me seguem possam se tornar meus pacientes e que elas me acompanhem pelo o que eu tenho a oferecer.

    Você precisa entender como conduzir o seu paciente do momento em que ele começa a te seguir até o ponto que ele agenda uma consulta.

    Precisa pensar em qual conteúdo vai fazer com que ele aumente a confiança em você e elaborar sequências de stories para que ele se sinta pronto para dar o próximo passo.

    Outra coisa, você não precisa somente fazer com que ele agende uma consulta. Você pode usar a sua audiência para criar algo próprio, um canal de comunicação proprietário. 

    Nesse caso, pode ser uma newsletter, pode ser um grupo, pode ser um evento presencial, uma aula ao vivo. 

    Todas essas são formas de você se aproximar desse seguidor, encurtar o tempo de compra e ter uma forma de se comunicar com ele sem depender do algoritmo do Instagram.

    Lembre sempre, você quer pacientes, o seu perfil é somente uma ferramenta (dentre muitas outras) para isso.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi

  • O médico não está condenado!

    Existe uma miopia no mercado médico.

    Parece que hoje todos estão condenados a seguir um ou dois caminhos para o sucesso.

    Vire um “creator” (produtor de conteúdo) ou tenha uma clínica de luxo.

    Outros caminhos além desses são esquecidos (não sei se é porque são menos sexy ou pela real ignorância sobre modelo de negócios).

    Também parece que só existem 3 ou 4 especialidades que são boas, você é um cirurgião, psiquiatra, trabalha com estética ou com emagrecimento.

    De resto, foi a pior escolha que você fez na vida. 

    Se você já me acompanha, sabe que eu tenho uma visão mais real sobre o tema (e se você olhar ao redor também vai encontrar meia dúzia de exemplos diferentes desses). 

    Conheço médicos nefrologistas que cobram 1.400 reais na consulta particular. Também conheço psiquiatras que cobram 400 reais e vivem viajando o mundo atendendo por telemedicina. 

    Já conheci médicos muito bem sucedidos que não tinham redes sociais (sim, é possível). Também conheci médicos com milhares de seguidores que não conseguiam lotar uma agenda. 

    O médico precisa entender, de uma vez por todas, a pensar sobre negócios. Precisa ser capaz de enxergar as possibilidades que tem e o que se adapta e faz sentido no seu contexto. 

    Se tiver interesse, eu te convido a assistir um vídeo que gravei sobre estratégias para crescer um consultório (muitas delas fora do padrão do que é vendido por aí), vou deixar o link para vocês: https://www.youtube.com/watch?v=RWCpfobT8Tg

    Voltando, eu preciso que o médico comece a enxergar a jornada do paciente, modelagem de negócio, sobre a teoria das restrições (gargalos), sobre tempo de compra, precificação e lifetime value. 

    Obs: eu falo sobre cada um desses pontos em algum texto futuro. 

    Você vai entender que talvez faça mais sentido uma pediatra estar presente em um grupo de mães do que fazer meia dúzia de posts nas redes sociais. 

    Só para concluir, duas coisas: questione a lógica de tudo que é “empurrado” para você como solução única e valide hipóteses. 

    Tem uma ideia de captação de pacientes? Coloque em prática com um teste reduzido e controlado, analise os resultados e decida se fez ou não sentido. Repita isso várias vezes, você vai me agradecer depois.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi

  • Se tornou ruim ser médico?

    Óbvio que o médico perdeu poder de compra, você já deve ter visto vários vídeos comparando o que o médico comprava há 20 anos e o que ele consegue comprar hoje.

    Sem dúvida alguma, temos mais profissionais, mais concorrência.

    Também é inegável que existe algum influenciador de 14 anos que ganha 200 mil reais por mês fazendo dancinha enquanto o médico trabalha duro para conseguir 20, 40 mil reais. 

    Ah, e também tem as comparações de que manicure, cabeleireiro e barbeiro ganham mais por hora do que o médico.

    Obs: se essa comparação fosse tão correta, estaríamos vendo uma quantidade inimaginável de médicos largando sua profissão para trabalhar no salão de beleza (e você sabe que isso não é verdade). 

    Mas mesmo assim, eu ainda te pergunto: se tornou ruim ser médico?

    Muitos falam coisas completamente negativas, mas me proponho a respeitosamente discordar.

    Tenho uma visão um pouco diferente e acredito que, se o médico pensasse um pouco parecido, tornaria a sua vida mais leve.

    As possibilidades que o médico tem ainda hoje são melhores do que a média das profissões.

    Obs2: sim, sabemos que o risco é maior e por isso é condizente que ganhem mais. De toda forma, de maneira objetiva, ainda ganham mais. 

    Ainda por cima acredito que o mercado médico particular ainda é extremamente amador. 

    Também acredito que as redes sociais e o excesso de comparações distorceram a percepção do médico do que é bom. 

    Escutei de uma médica que os recém-formados estão cobrando 600 reais pela consulta (pelo amor, você sabe que isso não é a regra, certo?).

    Se o médico fizer o básico de maneira constante e bem feita, o que envolve atendimento e gestão, ele tem grandes chances de ter uma vida boa.

    Vai conseguir ter autonomia de horários, vai conseguir ter uma boa remuneração (algo real!) e vai conseguir ter satisfação pessoal de estar entregando algo de valor para a sociedade. 

    Óbvio que se você quiser manter o poder de compra que o médico tinha antes vai ter que se esforçar mais, mas fazendo o trabalho bem feito, terá uma vida boa. 

    Então sim, acredito que vale a pena ser médico. 

    Sim, acredito que agora o médico precisa desenvolver mais habilidades e se sujeitar a aprender coisas que antes não eram necessárias. 

    Mas não, não acredito que a medicina acabou.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi

  • O paciente vai esquecer de você

    O paciente esquece de tomar a medicação.

    O paciente esquece de agendar a consulta de retorno.

    O paciente esquece de avisar que não vai à consulta. 

    Todos nós sabemos disso. O mundo é assim.

    O problema é quando a única ação do médico é culpar o paciente.

    Você esquece que quanto mais você pensa em ações de retenção e de conversão, melhor para o seu consultório.

    Se o paciente agenda e não vai, você perdeu uma consulta. 

    Se o paciente não retorna no tempo indicado, você perdeu uma consulta.

    Se o paciente esquece de fazer os exames e de tomar a medicação, tem muitas chances de você nunca mais atender esse paciente.

    Pensar em pontos de contato e estratégias de relacionamento não é só benéfico para quem você atende, é benéfico para você.

    Não estou falando de contratar uma empresa de automação para fazer lembretes automáticos (por mais que talvez seja muito útil), estou falando em pensar sobre o problema. 

    Será que você poderia ter um formulário de pré-consulta? Quantas mensagens você deve mandar para confirmar? De quanto em quanto tempo? Qual o tamanho das mensagens? O que deveria estar escrito?

    Estou falando de você pensar em alguma ação de pós-consulta, coisas simples. Uma mensagem após 48h e uma mensagem após uma semana. Isso já resolve.

    Estou falando do paciente sair da sua sala com a próxima consulta já agendada (não estou falando da secretária agendar o retorno, quero que você fale com o paciente o dia e a hora que ele vai retornar). 

    Passa um, dois meses, e o paciente nem se lembra mais de você. Eu estou falando de você mandar um e-mail para ele com algum conteúdo interessante uma vez por mês.

    O que eu quero é que você comece a pensar em soluções para problemas que existem e que não vão se resolver sozinhos. 

    Pense, teste, execute e ajuste. 

    A retenção muda a vida do seu consultório. 

    Se o paciente não se lembra, você arruma formas de lembrá-lo.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi

  • O médico vai fracassar

    Eu já idealizei um mundo perfeito onde o médico era capaz de fazer tudo bem feito. 

    Ele conseguia produzir conteúdo para as redes sociais, ele fazia um bom pós-consulta com todos os pacientes, preenchia as planilhas de controle, treinava a secretária e ainda tinha as contas organizadas. 

    Infelizmente, com a idade e o tempo, eu entendi que isso era impossível (na maioria das vezes) e que se ele fizesse meia dúzia de coisas bem feitas já estava de bom tamanho. 

    O médico não é um gestor por natureza, muitos nunca serão, e isso não tem problema.

    O problema é que de alguma forma você precisa gerir o seu consultório, precisa fazer com que as contas fechem e que você tenha uma vida boa. 

    A pergunta certa é como fazer isso. 

    Cada vez mais eu tendo a acreditar que existem duas ou três coisas que se você colocar o seu foco bastam. 

    Também acredito que você não pode chutar o balde das outras coisas, mas pode ser mediano nelas. 

    A lógica que eu proponho passa primeiro por entender o que você tem facilidade em fazer e encontrar onde está o maior problema do seu consultório. 

    Essas duas coisas você precisa fazer, não tem negociação. 

    Se você é bom no atendimento (e na retenção), foque em melhorar isso cada vez mais.

    Se o maior problema do seu consultório é a conversão de contatos em pacientes, resolva isso o mais rápido possível.

    Isso vai bastar. 

    Agora, para o resto das coisas, só faça, não exija de você perfeição, mas também não seja displicente. 

    Eu sei que talvez você não consiga ter uma planilha financeira bonitinha, mas ao menos entenda quanto entra e quanto sai do seu consultório todos os meses. 

    Como reflexão, faça esse dever de casa para o seu consultório, descubra o que a gente chama de “gargalo”, o maior problema que você enfrenta hoje, e descubra a área que você faz muito bem (seria bom que fosse algo ligado a vendas, produção de conteúdo ou atendimento). 

    Para o resto das coisas, só mantenha tudo funcionando, arrume uma forma simples (e que gaste pouco tempo) para fazer e monitore os sinais vitais do seu consultório (métricas e indicadores) para saber onde precisa agir.

    Até mais, sigo com você.


    Aledi