Consultório 1A

Gestão e marketing médico

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  • Médico não é Empresário

    O médico não precisa ser empresário! Muitos deles se tornarão piores médicos se fizerem isso. Vou te explicar.

    Você é um ótimo médico, acabou de sair da residência e sublocou uma sala para atender. A sua consulta é elogiada, os pacientes adoram o seu trabalho. Seu atendimento é realizado com calma a atenção.

    Você tem total domínio do que está fazendo, acerta os diagnósticos, os pacientes apresentam melhora após o tratamento proposto.

    Nesse momento você começa a ficar conhecido, passa de atender 5 pacientes para atender 15 pacientes por semana. Começa a achar necessário ter um consultório, decide mudar.

    Nesse momento você acha um contador, abre um CNPJ, descobre que precisa ter alvará, licença da vigilância sanitária e que todos os meses vai ter que mandar uma planilha financeira com os seus resultados.

    Descobre também que agora o seu custo dobrou, você vai precisar atender mais pacientes, vai ter que pensar em prospecção. Marketing digital, anúncios, tráfego pago, branding, produção de conteúdo….

    Sozinho você não da conta mais de responder as mensagens dos interessados na consulta. Vai ter que contratar uma secretária. Como faz um processo seletivo? Ela tem que ser CLT? Como funcionam as férias? FGTS? INSS?

    Agora você tem que fiscalizar o trabalho dela, tem que ver como ela está respondendo os seus pacientes, se está seguindo um padrão.

    Como estão as taxas de agendamento? Quanto você está tendo de lucro no seu negócio? Como está a sua retenção? Quais as suas alavancas de crescimento? Aumento ou não o preço da consulta?

    Minha pergunta para você é: você realmente acha que vai conseguir ter a mesma dedicação à medicina de quando começou? Você realmente acredita que vai conseguir atender os seus pacientes com a mesma tranquilidade e qualidade que atendia antes?

    Eu acredito, e é isso que eu faço por aqui, que o médico tem que entender sobre gestão e sobre marketing. Ele não tem que ser um exímio empreendedor ou administrador.

    Você é médico! 

    Eu realmente vejo que a maioria das pessoas que falam em seu discurso que o médico não precisa de nenhum profissional está querendo te vender algum curso.

    Sugiro que leia o livro “O Mito do empreendedor”, ele fala bem disso. Existem três figuras dentro do negócio: o empreendedor, o administrador e o especialista. Você não precisa ser todos.

    Na grande maioria dos casos, se o médico focar em ser um excelente médico, ele terá um grade sucesso. Se o seu objetivo for entregar o melhor ao seu paciente, você será bem sucedido no longo prazo.

    Para isso, você precisa entender que não conseguirá fazer tudo sozinho. Vai precisar investir em uma equipe/profissional de confiança e terá que entender o mínimo para não ser enganado. Isso basta.

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi

  • Medicina 2035

    Não gosto de ser o mensageiro do apocalipse, mas as coisas vão piorar. Falo isso com total racionalidade e vivência de mercado. 

    Cada vez mais teremos mais médicos, cada vez mais teremos mais concorrência, cada vez mais os pacientes terão escolhas.

    Somados a isso, temos as consultas online. Você não está mais concorrendo com o médico ao seu lado, você está concorrendo contra os especialistas do Brasil.

    Agora o seu paciente pode escolher, ele entra no instagram e analisa os médicos, ele procura no google e escolhe por quem ele quer ser atendido. 

    Como você já sabe, eu não gosto de fazer alardes, ou algo nesse sentido. Quero dar uma visão do que eu faria nessa situação. A onda ainda não chegou, temos saída. 

    Primeiro de tudo, conseguimos “prever” o futuro. De uma olhada nos nossos colegas dentistas, costumo usar o mercado odontológico como uma bola de cristal.

    Eles já estão cientes que o mercado é concorrido. A maioria sabe que para ter bons resultados precisa de uma estrutura empresarial, comercial, vendas, financeiro…

    Eles sabem que precisam ter diferenciais, sabem que brigar por preço pode levar o negócio a ruína. 

    Eles já sabem que precisam ter uma prospecção constante, precisam ter canais fortes de aquisição de pacientes. Sabem que precisam ter um bom relacionamento com os interessados e com os seus atuais pacientes. 

    A maioria dos médicos ainda não sabem disso. 

    Vejo isso como a última oportunidade. Sem sensacionalismo barato.

    Para você ter noção, hoje o custo para você anunciar uma especialidade médica no Google gira em torno de 1 a 5 reais o clique. Você paga isso para uma pessoa entrar no seu site e conhecer você.

    Quando comparamos com nossos amigos dentistas, vemos custos que chegam na casa dos 15, 25 reais. 

    Além disso, quando eu falo de anúncios no instagram, eles ainda são ridiculamente acessíveis. Com 20 reais você consegue chegar a mil pessoas da sua região. 20 reais.

    Eu aproveitaria e me esforçaria ao máximo para conseguir o maior número de pacientes possíveis e junto com isso começaria a estudar sobre gestão.

    Estudaria principalmente sobre processos comerciais e CRM (Customer Relationship Management), estudaria sobre precificação e sobre gestão estratégica (diferenciais competitivos).

    Com isso, quando as coisas ficarem caras, quando não for mais tão fácil assim, você vai estar preparado para brigar com a concorrência e para aproveitar os frutos do que plantou nesses bons momentos de hoje.

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi

  • O médico não precisa investir na bolsa valores

    Estava conversando com um grande amigo endocrinologista ontem sobre investimentos. Não só investimentos financeiros, investimento de tempo e energia.

    Desde o momento que começou a sobrar algum dinheiro para ele do consultório, ele começou a ler e estudar tudo que você possa imaginar sobre finanças.

    Ele comprou curso, mentorias, imersões, deve ter lido uns 50 livros. Passava várias horas por semana no Youtube assistindo vídeos sobre o tema. Ele estava obcecado.

    Se não bastasse o mercado financeiro, ele começou a receber propostas de amigos e colegas para ser um “investidor”.

    “Marcos, tem um negócio aqui muito bom que acho que seria legal você entrar como sócio”.

    “Eu tive uma ideia de negócios muito boa, o que acha de começarmos juntos”

    Antes de colocar a minha breve reflexão, quero fazer um disclaimer sincero. Eu gosto muito do assunto investimentos, eu acho sensacional o conceito de ter renda passiva (aquela que você ganha sem ter que vender a sua hora) e a ideia de investir em vários negócios (vai que algum deles é o Uber).

    A questão que eu quero trazer hoje é o momento e a energia dedicada a cada coisa. 

    Imagina se ele dedicasse todo esse tempo para pensar no negócio dele. Imagina se ele conseguisse fazer com que o consultório que fatura cerca de 60 mil reais passasse a faturar 200 mil. 

    Ou melhor, hoje 100% do faturamento do negócio depende dele, imagina se ele consegue diminuir esse valor para 20%. Ele vai ganhar mais, trabalhando menos.

    Quando começamos a ter um mínimo de sucesso, esquecemos aquilo que fez com que o sucesso existisse. Começamos a olhar para fora.

    Achamos que o nosso tempo e a nossa energia são infinitos, que conseguimos fazer tudo. Isso é mentira. 

    Você vai precisar fazer escolhas, e fazer as escolhas certas.

    Eu trago comigo uma máxima: seu consultório é o seu maior investimento.

    Trago também uma premissa: você precisa garantir que tenha o máximo de impacto com o menor esforço possível.

    Não acredito que você consegue saber mais sobre um negócio do que você sabe sobre um consultório médico (ou deveria saber).

    Por isso, quero que você fique com essa reflexão. Pense sobre onde está a sua energia hoje, onde estão seus investimentos 

    Será que você não deveria estar alocando eles de forma diferente?

    Direcionamento: não costumo fazer isso nesses textos, vou abrir uma exceção. Primeiro, tire tudo que você conseguir do seu consultório – faça com que ele fature o máximo possível. Depois, faça com que ele não dependa diretamente do seu trabalho e dos seus atendimentos – contrate pessoas e crie processos. Por fim, você está livre para se dedicar a outros empreendimentos (sejam negócios ou investimentos).

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi

  • Balança uma árvore e cai médico

    Hoje foi um dia que me entristeceu. Eu entrei no instagram, sempre tiro um tempo para buscar novas referências e entender sobre o mercado, mas parece que as coisas estão ficando cada vez piores.

    Eu tive a sensação de ver várias vezes o mesmo vídeo, o mesmo conteúdo, só mudava “o personagem” que estava por de trás. Não sei se você percebeu, assim como eu, que as coisas baratas estão se tornando a regra.

    Quando digo baratas, digo isso pois não exigem criatividade, não exigem personalidade e, o pior, não estão exigindo conhecimento. O mesmo conteúdo, o mesmo formato, várias e várias vezes.

    A trend do momento, 5 dicas disso, 4 formas daquilo, “a estratégia que eu uso para faturar tanto”, “o que você precisa saber sobre tal assunto”. Será que evoluímos a ponto de precisarmos dessas chamadas apelativas para nos interessarmos por certo assunto?

    Eu sinto falta do conteúdo rico, sinto falta de um médico explicando sobre ciência, tendo um conteúdo baseado em evidências. 

    Sinto falta de médicos inteligentes.

    Sinto falta de médicos com personalidade.

    Eu já passei por esse dilema várias vezes, hoje entendo que eu posso achar a minha forma, o meu modelo de comunicação. Isso vai atrair pessoas que tem os mesmos princípios e valores que o meus.

    Percebo que isso me gera frutos até hoje, são raros os meus clientes médicos que deixo de acompanhar, ou que estão insatisfeitos com o que ofereço.

    O que eu quero falar hoje, o motivo pelo qual escolhi esse tema, é que você pode mudar isso. Vejo até como um dever moral.

    Essas pessoas que estão cansadas, que não aguentam mais do mesmo, que estão de saco cheio de conteúdo superficial, qual é a opção delas? Eu diria que pode ser você.

    Eu acredito que muitos médicos não começam a se expor, expor suas ideias e entendimentos, por medo do ridículo. Eu também teria se fosse para fazer o que estão fazendo.

    Agora, acredito plenamente, que você não precisa disso. Acredito que existe um espaço onde existam pessoas buscando por conteúdos reais, profundos e verdadeiros. 

    Que vão escolher os seus médicos por competência e não por modismo. 

    Não importa como você vai fazer, mas pense sobre isso.

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi

  • Eu fiz medicina por dinheiro

    Estava conversando com um grande amigo e ele chegou a seguinte conclusão: “tem médicos que fazem medicina pelo negócio e tem médicos que fazem por que gostam.”

    Eu tenho certeza que metade dos médicos acham isso um absurdo, ninguém deveria seguir uma profissão tão respeitada somente para ganhar dinheiro.

    A outra metade acha um absurdo o médico não poder enriquecer, não poder enxergar na medicina uma forma de melhorar vida. 

    Eu já discordo dos dois lados. Para mim, ambos estão míopes. 

    Primeiro, eu não acredito que existe uma forma consistente de ganhar dinheiro fazendo aquilo que você não tem aptidão para fazer. 

    Segundo, a medicina é uma área, não uma profissão.

    Conheço muitos engenheiros que são donos de hospital, eles não pisaram um dia se quer na faculdade de medicina. 

    Quero então separar as coisas: o exercício da medicina para com o paciente e a medicina como setor/área.

    O médico de consultório precisa amar o que faz, ele precisa amar os seus pacientes, ele precisa amar a sua profissão. Precisa se dar o respeito que a profissão exige e precisa sim se sacrificar por ela. 

    Ao mesmo tempo, ele precisa comer. Ele precisa comprar o leite das crianças. Ele precisa viajar. Ele precisa ter uma boa qualidade de vida.

    Ele precisa que o seu consultório cresça, para que ele atenda cada vez mais pacientes. Ele precisa ser visto, ser reconhecido. 

    Para isso, ele precisa aprender a ganhar dinheiro, ele precisa entender de negócios. Somente assim ele irá viver tranquilo fazendo o que ama.

    Ganhar dinheiro com a medicina é um pressuposto básico para continuar fazendo medicina. 

    Já por outro lado, temos grandes exemplos de médicos que se tornaram grandes empresários. Fundaram empresas, criaram tecnologia, mudaram o mercado. Eles não estão errados.

    Só que, para eles, eu vejo a necessidade de se valerem do profundo conhecimento do ser humano, e da vida, para fazerem dinheiro em contrapartida de retribuírem a sociedade. 

    Não falo de charlatões que vendem falsos sonhos para os seus pacientes. Não falo de médicos que usam de sua posição para enriquecerem prejudicando seus clientes.

    Esses não deveriam estar onde estão.

    Agora, aqueles que querem ganhar um dinheiro honesto, valorizem o médico que ama o que faz, contratem eles para sua clínica, entregue um ótimo salário e reconhecimento. Pense em como você pode enriquecer ajudando, facilitando, criando soluções que sejam úteis. 

    Dinheiro pelo dinheiro, não vale nada.

    Por fim, seja honesto com suas escolhas. Saiba qual é o seu lugar.

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi

  • O médico e a varinha mágica

    Eu queria que o médico tivesse uma varinha mágica, uma lâmpada dos desejos ou uma fada encantada que realizasse os seus desejos. O problema é que o mundo não é assim.

    É uma ilusão, achar que você vai acertar de primeira, que vai ter sucesso no primeiro, segundo, no terceiro mês. Pode acontecer, mas é extremamente improvável.

    Escolhi esse para ser o tema do nosso texto de hoje porque estava falando com um colega que estava passando por um situação intrigante. Ele estava na dúvida, se parava ou não de investir em marketing. Eu, como um bom amigo, resolvi ajudar.

    Não imagino o que passava na cabeça dele, mas ele tinha uma estratégia que estava fazendo com que pelo menos mil pessoas acessassem o seu site todos os meses. Isso mesmo que você leu, mil pessoas, todos os meses. 

    O problema: ele não estava tendo consultas particulares.
    A solução (que ele “pensou”): parar as campanhas.

    Quando eu vejo essa situação, fica extremamente claro o que deve ser feito. Só que de alguma forma, isso incomoda o médico, ele fica sem saber o que fazer. Se sente perdido. 

    Talvez, seja pelos marketeiros que vendem soluções fácies, rápidas e eficientes. Pode ser. Talvez, seja pelo imediatismo enraizado na nossa sociedade de hoje. Talvez, seja por falta de visão e de planejamento. De toda forma, eu não culpo ele por pensar assim.

    Uma coisa você tem que ter em mente, na verdade duas: você não vai acertar de primeira e marketing é ciência. Isso significa que você você vai errar muitas vezes e significa que você vai ter que investigar o problema.

    Nesse caso do meu colega, o problema era simples: precisamos fazer  testes no seu site para aumentar o volume de mensagens. Só isso.

    Não era desistir de tudo. Era testar títulos, testar fotos, testar design. O mais difícil ele já tinha, que era fazer com que as pessoas ficassem interessadas no que ele estava oferendo.

    Como eu sempre prometo ser breve nos meus textos, em respeito ao seu tempo, quero finalizar com uma conclusão.

    Nunca pare de testar, nunca pare de colocar anúncios novos, de gravar vídeos diferentes, em formatos diferentes, não pare de fazer testes no seu site, no seu script de vendas, no conteúdo do seu instagram, em plataformas que estejam surgindo. Seja curioso, seja analítico e criativo. Essa é a fórmula para o sucesso.

    Até, sigo com você.

    Gabriel Aledi